Paul Giametti interpreta o segundo presidente norte americano, John Adams, em uma experiência marcante.
HBO é um canal histórico não só pelo conteúdo primoroso, mas por suas séries e mini-séries que ajudam a reconstituir partes do que contam os livros. Roma é um belo exemplo, mas outro está por vir, sobre o início de um império mais atual…
Em um intervalo de seus deveres governamentais em uma fazenda de Massachusetts, Adams mostra a seu filho, John Quincy, o lado bom de se trabalhar com esterco — manualmente. “Ele era obsecado com o uso de um bom esterco,” explica o ator.
Por mais desagradável que isso possa ser, Giamatti insistiu aos produtores que a cena fosse mantida intacta. “Aquilo foi um tanto excêntrico, mas Adams deu um grande valor ao fato de ter sido um fazendeiro. Era algo emblemático.”
A mini-série, dividida em oito capítulos (ao ar todo domingo, às 20h, nos EUA), remonta com rigor o retrato do povo e da época, que para os criadores da série, definiram a revolução norte americana de um jeito que os telespectadores nunca poderiam ter visto.
“Eu acho que esta série chega o mais perto entre tudo que já se foi produzido para trazer aquelas pessoas e aquele tempo de volta. Quem a assistir, nunca vai se esquecer,” declara o historiador David McCullough, que escreveu um livro sobre Adams – Vale citar que a série é baseada neste livro.
“Todo o resto já feito foi perda de tempo,” adiciona o produtor executivo Tom Hanks, sacudindo um saco de moedas que John Adams mantinha sobre a mesa.
Tudo, desde o massacre de Boston, a epidemia de varíola e o cotidiano da família de Adams em sua fazenda, são retratados nos mínimos detalhes.”Era muito importante para todos nós que esta série se tornasse uma experiência sensorial,” explica Laura Linney, que interpreta Abigail Adams. “Não foi um período muito elegante.”
O diretor Tom Hooper ainda acrescenta que “Aquele que pensar que esta foi uma época de ouro, precisa dar uma olhada em uma sequência da série sobre a varíola, para ver como era aquilo na verdade”.
Ao que parece não só o nível dos detalhes chama atenção para a série. Algumas cenas são bem fortes. Em uma delas uma multidão de pobres vira um caldeirão fervente sobre um simpatizante ao regime Inglês. “Não dá para assistir esta cena e imaginar que pessoas jogavam alcatrão quente sobre alguém e depois as cobriam de penas, como se aquilo fosse uma brincadeira do colegial. Aquilo era tortuta. Pessoas morriam daquela forma”, nota o historiador.
Talvez mais importante que detalhes e cenas fortes seja o modo com que vultos importantes da história americana foram retratados. Um exemplo são os Patronos Fundadores da America, mostrados muito mais a fundo do que qualquer retrato raso contido em um livro escolar sobre história.
“Temos uma tendência a vê-los como donos de bom carater,” explica McCullough. “Nos esteriotipamos o que na verdade foi a declaração da independência e quem estes homens eram – mas o que fez deles tão importantes?”
O mais intrigante, é claro, é o próprio Adams, que não foi nada menos do que a complicada figura interpretada por Giamatti, segundo Colin Callender, presidente da área cinematográfica da HBO.
“Adams foi um homem racional, entretanto também foi ipetuosamente impulsivo, do tipo que agia sem pensar. Apesar de humilde, ele foi muito ambicioso. Foi um homem simples, mas muito vaidoso. Amou sua família, entretanto passou metade de sua vida longe deles. E Paul retratou isso tudo sem medo algum, com verruga e tudo mais.”
E se isso tudo parecer pouco para um único personagem, Giamatti ressalta que Adams foi “neurótico e depressivo. Além de ter sido hipocondríaco. Ele chegou a ter diversos colapsos, mas nunca fsouberam explicar o que na verdade acontecia com ele.”
Deixando os dramas de Adams, ainda temos os de sua esposa Abigail. Ela sofre por um longo período afastada de seu marido – longos cinco anos – o que a forçau a comandar a fazenda e a família sozinha.
Despistando qualquer especulação sobre uma suposta separação, os dois manteram um duradouro e estreito relacionamento, tanto quanto era possível. A prova disso são as cartas que ambos trocaram. Linney leu todas estas cartas com o intuito de se preparar para o papel.
“Das cartas você não só sente o profundo afeto que um tinha pelo outro, como também o quanto eles eram verdadeiros parceiros,” diz a atriz. “Ela entende onde ele estava e que motivos o mantinha naquela situação. E ela era durona. Não era nenhuma santa.”
Apesar de não ter sido formalmente educada, Abigail era extremamente inteligente. “Adams esteve a frente de seu tempo, convivendo com uma mulher inteligente,” completa Giamatti.
Abigail foi escolhida para ser o maior suporte e cofidente de seu marido. Em uma cena Abigail pergunta a Washington se ele se importaria em entregar uma carta a seu marido. Respeitosamente o histórico personagem americano responde, “Quanto mais cedo ele receber esta carta, mais cedo nós seremos beneficiados por sua sabedorai.”
Taí, pra quem gosta de história esta série promete ser um prato cheio!
Ouça nosso podcast especial do mês, falando sobre That ’70s Show.
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