Arquivo X - Razões para acreditar?
Depois de Sete anos do afastamento de David Duchovny e outros 10 após o primeiro filme de Arquivo X, finalmente o casal Mulder e Scully termina suas buscas por verdades.

David Duchovny está sentado na varanda de uma fazenda a cerca de uma hora de Vancouver, apreciando o sol fraco de uma tarde de inverno. A gravação do filme The X-Files: I Want to Believe está atrasada e ele está pensando sobre a escolha que seu personagem, o agente Mulder, tem que tomar: a felicidade completa, ou a verdade?
“Eu não acho que Mulder seja um cara feliz,” diz Duchovny. “Ele é como um herói em constante busca. É por isso que eu gosto tanto dele. Ele nunca desiste.” A também atriz do filme, Gillian Anderson, passa por perto a caminho do set gritando em brincadeira “É tudo mentira”.
E na verdade pode ser que seja, afinal “iludir, enganar e ofuscar” fazia parte dos assuntos principais deste programa de TV que teve nove anos de duração. Mas seis anos depois da série ter acabado (e uma década desde o filme anterior), o novo longa chega com a promessa de avançar ainda mais do que os fãs poderiam esperar.
Escrito pelo criador da série, Chris Carter e seu braço direito Frank Spotnitz — inspirados por uma idéia que os persegue há anos — esta é uma história que funciona sozinha, descrita por Carter como um triller de suspense semelhante a formula do seriado em seus primeiros anos, quando trazia um monstro por semana. Porém fica no passado a aparição de monstros de gelo, de oleo, ou formado por insetos. O novo filme foi criado para agradar também a nova leva de fãs, aqueles que curtem os casos mais estranhos já encobertos pelo FBI.
“É um grande alívio não ter que seguir todos os aspectos da narrativa da série,” diz Spotnitz. “O que a gente quer é contar uma história com os personagens que a gente ama.”
Detalhes sobre a dita história ainda estão por vir, mais aqui está o que já sabemos até agora: Billy Connolly interpreta um padre de caráter dúbio, segundo Spotnitz; e a dupla de novatos Xzibit e Amanda Peet aparecerão como agentes do FBI. Carter ainda disse que podemos esperar pela aparição, ou pelas aparições, de conhecidos da série - apesar de que, tragicamente, o estupendo Yappi não deverá estar em nenhuma delas.
Carter e Spotnitz ainda parecerem acreditar que a grande chave para este novo filme está nas mentiras que existem no relacionamento entre Mulder e Scully, o que promete tomar boa parte do longa. A série acabou com o casal apaixonado e Carter diz que o filme vai seguir esta afirmativa, mas adianta ainda que o tempo passou desde aqueles dias.
“Mulder e Scully não passaram todo este tempo congelados,” diz Duchovny. “Eles tiveram que lidar com a vida, juntos e separados. Eles tiveram experiências que nós nunca conheceremos .” Esperto como um ator que despista paparazzis, Carter é rápido ao mudar o foco da conversa, encerrando o assunto. “São duas pessoas apaixonadas pelas mesmas coisas, mas por diferentes perspectivas,” ele diz. “É um romance entre intelectuais.”
Quando o primeiro filme de Arquivo X estreou, em 1998, o programa estava em seu pico comercial e criativo. Lançada em 1993, a série rapidamente construiu uma audiência mais que fiel, quase obsessiva - Pode-se dizer até pioneira, abrindo terreno para os atuais fãs de Lost e Heroes - e o filme atingiu a sólida marca de $84 milhões de dólares. E então as coisas começaram a mudar. Duchovny deixou a série em 2001 (depois de uma disputa judicial com a Fox), e sem ele o enredo se tornou um caos.
A temporada final estreou dois meses depois do 11 de setembro, tendo público médio de 9.3 milhões de telespectadores, número que Carter e Spotnitz atribuem em parte ao clima do país naquela época.
O segundo filme era planejado para o começo de 2003, ainda que houvesse rumores de já ter um roteiro pronto, uma data para gravação nunca se realizou.
Os atores, exaustos, ficaram felizes com a possibilidade de uma parada - “Eu precisava dormir um pouco mais,” disse Anderson - mas ninguém pensou que o tempo de folga pudesse durar tanto quanto durou.
Eventualmente, Duchovny e Anderson participavam de outros projetos: Duchovny dirigiu um filme em 2005, chama-se House of D, em 2008 ganhou um Globo de Ouro por sua atuação em Californication, série da Showtime. Anderson se mudou para Londres, onde estrelou o aclamado drama de 2006 Bleak House, da BBC, e em 2006 esteve em The Last King of Scotland. “Eu acho que consegui o distanciamente necessário da série depois de um ou dois anos do final,” ela diz. “Acho que ninguém precisava de seis anos.”
Em 2005 Carter arquivou um processo contra a TV Fox; hoje ele diz que tal processo foi o que impediu o filme de acontecer a dois ou mesmo quatro anos atrás. Uma vez que o caso havia sido finalizado (e os termos do acordo não se tornaram públicos), ele e Spotnitz finalmente começaram a escrever o roteiro, que foi finalizado em agosto de 2007.
Com os dois atores livres e a greve dos roteiristas quebrando a perna de todo mundo, o estúdio acabou ficando mais do que feliz em dar sinal verde ao início do projeto. “Este sempre foi um projeto pelo qual nos interessamos,” disse o vice-presidente da 20th Century Fox, Hutch Parker. “O público não teve nenhuma chance de se reconectar com estes personagens por um tempo.”
Nem mesmo os atores: Anderson diz que reviver a personagem foi “really f—ing weird” (o que eu não me ofereço a traduzir, mas todo mundo já sacou). Entrar novamente no jeito Scully de ser trouxe algumas dificuldades. “Eu fazia algumas coisas e o Chris vinha e dizia ‘Eu não acho que seja assim…’ e então eu perguntava ‘Aquela não era a Scully de verdade, certo? ‘ e Carter dizia o que era necessário ajustar.
Mas se os atores tiveram problemas em reencarnar os personagens, será que o público vai conseguir se interessar por este novo filme? Será que os fãs que se sentiram traidos pelos rumos do fim da série ainda estão por aí? “Eu entendo o motivo de algumas pessoas terem abandonado a série,” diz Spotnitz referindo-se a saída de Duchovny do elenco. “Não era mais a saga de Mulder.”
Mas o cara ainda acredita que estes últimos seis anos deram às pessoas uma chance de sentir saudades do programa. E se a Wonder Con (famosa convenção de quadrinhos dos EUA) deste ano for um indicativo, ele está certo: Um painel sobre Arquivo X ficou lotado, com mais de 5.000 fãs fazendo “um barulho ensurdecedor,” como coloca Duchovny. “Eu sempre me surpreendo ao ver que ainda tem quem se dedique ao programa quase que diariamente,” admite Carter.
Duchovny, pelo menos, prefere não especular sobre os aspectos comerciais do filme. “Se você tenta prever o que o público vai achar, você acaba entrando em uma fria,” ele diz.
“Tentamos fazer algo que entretenha as pessoas. E se você não se divertir, então não conseguimos cumprir a nossa parte da tarefa. Eu espero que a gente consiga cumprir. Eu acho que isso é completamente possível. Não somos um bando em busca de dinheiro. Eu sempre achei que Arquivo X poderia se tornar uma franquia de filmes com vida própria.”
Fonte: ew.com
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